quarta-feira, 12 de março de 2014

Ninguém

 Eu continuo sentada, calada, no meu canto, com os fones nos ouvidos. Continuo também a fingir que não ouço nada e não me importo, mas importo.
 Eles não me conhecem, mas continuam a falar como se eu lá não estivesse, continuam a dizer que eu não passo de alguém sem graça, sem jeito, sem humor. Sem importância. Se eles ouvissem o que a minha mente responde nesse momento, enterravam-se. Eu penso que sempre fui super divertida, e sempre levava tudo numa boa, e o facto de eu ser tão brincalhona fez com que pensassem que eu gostasse de brincar, ou fazer de brinquedo.
 A partir do momento que alguém nos magoou-a, criamos um escudo como forma de proteção à nossa volta, e à volta do nosso ferido coração. Ele já não está ferido, mas está sozinho. Acho que na realidade sempre esteve, eu é que nunca percebi. Perdemos o hábito de rir para agradar os outros, de brincar, de mostrar toda a nossa diversão. Aos poucos que fui perdendo todos esses bocadinhos, acabei por me perder a mim. E aqui estou eu, no meu corpo, mas em algo que não sou eu, eu não sou "isto". Não sou esta pessoa que já não consegue criar amizades, não se consegue divertir, não sabe como enfrentar os outros.
 Se calhar têm razão. Talvez.
Um dia eu encontro-me, em qualquer lugar, em qualquer esquina, em algum sítio, mas agora vou continuar calada e sentada, porque para os que falam eu não passo de alguém sem importância.

2 comentários:

  1. Acho que isso faz parte da vida... se perder de si para se reencontrar mais a frente... e acredite, quando esse reencontro acontecer vc vai sentir e nunca mais deixará ninguém te afastar da pessoa mais foda da sua vida... você!
    Bjos ;)

    essejeitoamelie.blogspot.com

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    1. Quando eu me reencontrar, não deixo escapar mesmo , haha :D
      Obrigada pela mensagem, beijinhos :)

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